segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A noite em que levei um soco no estômago

Terça-feira, 03/07/2007. Passam das 22hs e o telefone da cada dos meus pais toca. A Assistente Social do Andaraí me avisa que o Mariano, meu namorado, sofreu um acidente. De cara lembrei da moto. Pensei que ele teria se acidentado voltando para casa. Na realidade, tentaram assaltá-lo na porta de casa e ele levou um tiro na vértebra T10. Ela avisou que ele estava lúcido, que havia tentado falar comigo e que estava no centro cirúrgico para ser operado, que não tinha como ter notícias e que não adiantava ir para o hospital que não teria o que fazer.
A cabeça girou. Concordei que só iria de manhã. E desliguei.

Devo ter ficado pasma por uma hora. Não fazia idéia do que fazer. Bateu um medo enorme. Tomei um banho, peguei documentos, chamei um táxi e fui com a minha irmã para o hospital.

A primeira porrada foi saber da extensão do trauma. O Mariano numa mesa de cirurgia com risco de vida e com uma lesão grave na coluna, era algo surreal. Depois a falta de notícias. No meio do nada, numa região hostil. Avisei a Izabel, irmã do Mariano que havia acontecido um acidente, mas não entrei em detalhes. Ela estava em Itaboraí longe para caramba e não adiantava falar tudo de uma vez. Não era momento para isso. Alguém da família precisava saber. Liguei também para o Luciano, um colega de trabalho dele que mora por perto. Pelo menos alguém que poderia ajudar a pensar no que fazer, pois a minha cabeça e a da minha irmã não tinham idéia do que seria possível aquela hora da madrugada. Depois de tentar informações com a equipe do hospital sem muito sucesso. Fomos para a casa do Mariano esperar até amanhecer. O Luciano deu carona e combinou de estar lá no hospital de manhã.

Minha irmã conseguiu falar com um amigaço Zé Artur, que além de médico tem um coração de ouro: Quem você conhece que na noite de folga sai de casa na madrugada para saber informações de um desconhecido? Além de pegar notícias nos explicou o procedimento e o que fazer depois da emergência no Andaraí.

Depois disso, só restava esperar...